Simpatia, disrupção simpatética e a-reflexão como conceitos da Filosofia do Comportamento Econômico[1]

Em seus estudos, a filosofia do comportamento econômico assume o conceito de simpatia em seu sentido mais amplo conforme delineado por David Hume e Adam Smith, ou como explica Fleischacker, significa um termo como um “apanhado” para os vários tipos de cola emocional que mantêm as relações sociais (Fleischacker 2012). Para ambos os filósofos, a simpatia é um mecanismo subjetivo de transfusão de emoções de um indivíduo para outro, pois a simpatia opera como a comunicabilidade da emoção relativa a uma emoção particular (Agosta, 2016). A filosofia do comportamento econômico considera que a relação simpatética “denota nossa solidariedade com qualquer paixão” (Smith, 1759).  Neste caso, através da imaginação, uma pessoa se põe no lugar de outra consciente de ser um self diferente, pois ela usa os seus próprios parâmetros para avaliar a situação, o que pode não necessariamente corresponder à situação real experimentada pelo outro indivíduo. Portanto, o conceito de simpatia refere-se à transfusão de qualquer tipo de emoção, mas mantendo o “eu” de cada parte envolvida.

A simpatia, como entendida pela filosofia do comportamento econômico, não é similar à empatia, a qual considera a simpatia como um conceito relacionado somente à compaixão ou pena. No caso, o observador é imediatamente motivado pelo sentimento de tristeza a aliviar o sofrimento da pessoa em questão, o que não exclui que faça alguma reflexão sobre a situação (Wispé 2016). Em outras palavras, a simpatia como definida pela empatia é somente a apreensão do sofrimento de outro indivíduo. “Empatia, diferentemente da simpatia, denota um referente ativo. Em empatia um participa dos sentimentos do outro; em simpatia um participa do sofrimento do outro, mas os sentimentos são próprios. Em empatia, tento sentir a sua dor. Em simpatia sei que está em sofrimento, e simpatizo contigo, mas sinto a minha simpatia e a minha dor, mas não a sua angústia e a sua dor” (Wispé 2016).[2] A mera visão da dor não tem a capacidade de engajar o espectador no sofrimento. Pena é uma emoção que surge da visão da dor, mas é uma emoção secundária originada da tristeza + compaixão + desejo de ajudar. No entanto, só nos leva ao desejo de ajudar depois de termos tido o conhecimento da situação do indivíduo.

Há casos nos quais a situação em que o indivíduo se encontra é tão difícil para ele lidar, que o leva a uma disrupção simpatética para que possa cortar todas as possibilidades de se engajar em interação simpatética. O/a agente responsável por cumprir a sentença de morte, por exemplo, entra em disrupção simpatética para que não sinta nenhuma emoção ao cumprir o papel de “assassino/a”. Além disso, ele/ela não faz nenhum tipo de reflexão moral, devendo ser a-reflexivo para ser capaz de cumprir a tarefa que lhe foi designada.

Em resumo, a disrupção simpatética ocorre para ajudar a pessoa a lidar com uma situação extrema. Ela corta a possibilidade da transfusão de emoções (disrupção emocional), ou seja, que entre em relação simpatética com outro indivíduo. Neste caso, a pessoa evita pensar sobre a situação que enfrenta e entra em estado de a-reflexão. Em outras palavras, não há nenhum tipo de reflexão. Devemos lembrar que: a) quando um indivíduo está pensando sobre algo, está em estado de reflexão; b) quando faz uma irreflexão, no sentido de uma má reflexão que leva a um comportamento ou julgamento inadequado, está refletindo de maneira errada; e c) quando não reflete de maneira nenhuma está no estado de a-reflexão.


[1] DOI: 10.13140/RG.2.2.14957.10720

[2] No original: ““Empathy, unlike sympathy, denotes an active referent. In empathy one attends to the feelings of another; in sympathy one attends to the suffering of another, but the feelings are one’s own. In empathy I try to feel your pain. In sympathy I know you are in pain, and I sympathize with you, but I feel my sympathy and my pain, nor your anguish and your pain


Bibliografia

AGOSTA, L. Empathy and Sympathy in Ethics. Internet Encyclopedia of Philosophy, http://www.iep.utm.edu/emp-symp/ retrieved on 19/March/2016

FLEISCHACKER, S. (2012). Sympathy in Hume and Smith: A Contrast, Critique and Reconstruction. Dagfinn F. & Christel F. (Eds.), Intersubectivity and Objectivity in Adam Smith and Edmund Husserl. Frankfurt.

HUME, D. (1826) Treatise of Huma Nature. Edinburgh

SMITH, A. (1759). The Theory of Moral Sentiments. Eds. D.D. Raphael & A.L. Macfie, Indianapolis: 1982. http://oll.libertyfund.org/title192  retrieved on 12/September/2013

WISPÉ, L. Sympathy and Empathy, http://www.encyclopedia.com/doc/1G2-3045001233.html  retrieved on 12/June/2016


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